Filosofia


  • As verdades do sábio são como flores, belas na contemplação, murchas com o tempo. Se veio a flor e seu encanto é para dar fruto ou dar semente. O fruto, suspenso, poderá tornar-se alimento, enquanto a semente, levada pelo turbilhão das probabilidades, sonha com um lugar onde possa germinar. Nem toda a sabedoria fica aos pés da quem a gera. Nem todo o conhecimento é desenvolvido no seio da família.  A alma da humanidade é um vasto campo aberto para o mundo cultivar.
  • Há como uma emoção que atravessa o alento; há como um sentimento que é vida no peito; há como um conhecimento que não entende a razão. Esse movimento, é a nave da tua libertação e o caminho que percorre a própria revelação.
  • Pela porta da contemplação, tudo o que tens de fazer é ficar passivo, como fica passiva a terra, deixando a vida que a habita fazer brotar o alimento do seu corpo – efeito da causa invisível que se revela sob a forma de conhecimento.
  • Pela porta da acção, a vida é realização; criou este ser para, através dele, alcançar a sua meta. Abre-te coração! Porque fluir no rio da vida não é ficar a ver o que acontece, mas descobrir que és o próprio acontecimento. A realização está em tudo e abraça o todo; faz de mim o instrumento da tua libertação.

Jaime Silva

 Introdução

Com a criação desta página pretende-se  divulgar, por intermédio da imagem e da ideia, princípios universais dinâmicos, impulsionados pelo desejo de cultivar a arte de viver. Por uma questão de respeito às tradições ancestrais da Índia, os termos e conceitos filosóficos, assim como os métodos e práticas aqui divulgadas, serão apresentados, não pela “índianização” da nossa cultura ocidental, mas sim, como instrumentos para realçar a riqueza da nossa própria cultura ocidental.

Sabendo que o yoga assenta na experiência directa, não será de admirar que a simbologia pela qual emanam as ideias, as emoções e sentimentos, seja a linguagem mais adequada para alcançar o conhecimento e cultivar os valores unificadores do potencial humano.

rodaA Roda do Dharma

Este símbolo da tradição indiana – um dos mais importantes da iconografia budista – irá representar os ensinamentos do Yoga de Leiria.

A roda do Dharma simboliza o movimento e o evolutivo de toda a realidade visível e invisível, física ou psíquica. Representa as forças e as leis do universo no seu aspecto macrocósmico e microcósmico. É o fundamento do conhecimento que sustenta a acção justa; a lei da perfeição; a dinâmica que leva à realização. No seu núcleo, em perfeito equilíbrio, encontram-se  as três tendências que deram origem ao universo: coesão, dispersão e actividade.

Quando representa o ciclo do Samsara, leis de causa e efeito, os oito raios são as oito vias da virtude. No eixo encontram-se as três causas de sofrimento: a serpente do ego, o porco da ignorância e o galo da luxúria.

Reflexões do mês
FACILITAÇÃO DE PASSAGEM

Quando Freud tenta representar o raparelho psíquico sobre modelo energético, supõe que as ”resistências se produzem nos pontos de contacto entre os neurónios: estes pontos de contacto, desempenham, portanto, o papel de «barreira». Ora alguns destes neurónios podem ser modificados pela passagem de uma energia nervosa: tornam-se, então, permeáveis, o que permite a aprendizagem e a memorização; este estado é a «facilitação» e a memória seguirá as vias traçadas pelas passagens facilitadas. Como não têm todas a mesma importância, algumas passa­gens serão mais simplificadas, portanto mais frequentes que outras. Esta teoria permite explicar porque é que a energia não se serve de uma via qualquer, mas é obrigada a conformar-se a caminhos estabelecidos pelas experiências anteriores.

Texto extraído do Dicionário do Inconsciente
Sobre a direção de Jacques Mousseau e Pierre-François Moreau

 Jaime Silva